O dono da inovação é John Batelle, um dos fundadores da revista Wired e professor de jornalismo da Universidade de Berkeley, na Califórnia. Meu contato com ele é através de uma comunidade virtual, em que participam alguns nomes importantes, como Seth Godin, por exemplo.
Como funciona: no tradicional modelo vigente, os anunciantes possuem todo poder, uma vez que decidem o que, quanto e, mais importante, onde irão direcionar seu investimento (em que veículos irão aplicar sua verba). Estamos juntos até aqui?
A proposta de Batelle, chamada por ele de "Sell Side Advertising", propõe uma inesperada mudança nesse jogo. Sua idéia consiste na criação de anúncios virtuais dinâmicos que, uma vez armazenados em "espaços comerciais" no próprio site das empresas, poderão ser escolhidos por veículos que se adequarem às regras, perfil e objetivos do anúncio. Os anúncios possuem, em seus códigos, regras claras de utilização e remuneração (pagas por cliques), informações sobre qual público se destina, proibições, etc.
Como seria na prática: imagine que você é um portal on-line de esportes e deseja ter a Nike como anunciante. Você entra no site da Nike, vai até a seção "Sell Side Advertising", visualiza se existe algum anúncio criativo, que motivaria as pessoas a clicarem (muito importante), verifica o quanto pagam por clique e se seu veículo se encaixa nas regras do anúncio. No caso do exame dar positivo, bingo! Você simplesmente copia o anúncio no bom e velho "copy and paste" e o publica em seu site. O anúncio possui um limite de carga e, ao ser clicado, envia ao anunciante essas informações.
Quando atinge sua cota de cliques, o anúncio expira e desaparece automaticamente, podendo ser recarregado pelo anunciante. Caso o anúncio não seja criativo e atraente e ninguém se interesse por ele, o veículo tem todo direito de descartá-lo, já que, diferentemente do modelo atual, não é interessante comercialmente para ele manter um anúncio pouco "clicável".
Do outro lado, se o anúncio for um sucesso, possivelmente, outros portais desejarão tê-lo e, para isso, precisarão apenas copiá-lo de seu concorrente, seguindo as mesmas regras. Trata-se da inauguração de uma nova espécie de modalidade, chamada, por mim, de "anúncio viral". Imaginem o poder de propagação que um simples anúncio virtual poderá ter, se for atraente o suficiente para fazer as pessoas clicarem. Todos desejarão publicá-lo. Vale ressaltar que essa teoria já é tecnicamente viável e já temos como impedir possíveis fraudes de anunciantes mal-intencionados.
Pela primeira vez estamos falando de comprometimento 100% com o resultado, em ambos os lados, por dois motivos simples:
1. o anunciante só paga pelos cliques efetivos.
2. os veículos, a partir do "Sell Side Advertising" tenderão a publicar anúncios que funcionem, caso contrário estarão perdendo dinheiro. Por esse raciocínio, agora quem escolhe o que publicar são os veículos e não mais os anunciantes.
Essa sugestão de mudança de poder é incrível e abre uma série ilimitada de possibilidades! Qual será o papel das agências nesse processo? Estaríamos falando de criação efetivamente de resultado? Será que o Cyber Lions 2010 premiará a peça criativa com maior número de cliques e propagação viral?
O processo de mudança em que vive o mundo não poupa modelos e relações.
Acredito que a idéia de Batelle seja uma das aguardadas surpresas, ainda não desabrochadas desse magnífico casulo chamado Internet, ao qual se referia meu caro cliente. Utilizei esse espaço para dividir com os leitores esse debate, no qual estou imerso há um mês. Na próxima coluna, pretendo publicar minha opinião e os valiosos comentários dos leitores, que convido a participarem de um fórum on-line, criado especialmente para discutirmos esse assunto. Endereço: www.internetdecultivo.com.br/sellside . Participem! É a Internet e sua incrível vocação pela mudança.