Parece que foi ontem. Parece que não foi de verdade. Parece que nunca sentimos algo parecido. Parece tão próximo. Parece tão injusto. Parece um pesadelo recorrente. Parece algo que não devia ter acontecido. Parece que passou rápido demais. Parece difícil acreditar que em 2005 faz 11 anos que Ayrton Senna morreu. E para aumentar o meu espanto, parece ser brincadeira de criança constatar que muitos jovens eleitores brasileiros que votaram em 2004 não se lembram direito (a não ser por reportagens, vídeos ou pelo personagem Senninha) desse tal Ayrton Senna de que nós, os “mais velhos”, falamos com religiosa admiração.
Se você acha que estou exagerando, experimente perguntar ao pré-adulto mais próximo se ele lembra como eram aquelas manhãs de domingo e as famosas dobradinhas. O fato é que essa geração pós-Ayrton ou pré-internet chamada por muitos de “Geração Yahoo” - que cresceu sem enciclopédias, LP e videocassete, mas com o contato natural e uma proximidade umbilical com a internet/informática, seus jogos, informações, downloads e e-mails -, está muito próxima de alcançar a força de trabalho e conseguir o tão cobiçado poder de compra, objetivo aguardado por centenas de novos players.
Esse cenário me motiva a levantar alguns pontos e questões: assim como a “Geração Yahoo” não conheceu Ayrton Senna, também teve pouco contato com o enorme receio atribuído ao comércio eletrônico e sua segurança em seus primeiros anos de vida. Logo preparem-se para o desembarque de uma tropa de novos compradores com menos medo e já acostumada às condições climáticas da web. Seria natural acreditar que o meio on-line protagonizará a vida consumidora desses novos compradores, acostumados com clicks desde sua infância? Existirá lugar para todas as estratégias de multicanal no bote salva-vidas chamado integração de processos. Até que ponto estruturas duráveis de aplicação substituirão o desejo pelas regras de escala?
Muitas empresas ainda acreditam que os recursos atuais disponíveis no mercado digital são insuficientes para atender os seus exigentes desafios de fazer negócios concretos. Na verdade, a grande barreira para a geração de ativos encontra-se no DNA estratégico de seus próprios projetos, e não na web. Companhias bem posicionadas possuirão novas abordagens de negócio que irão enfatizar uma integração bem sintonizada entre as mutantes necessidades do cliente, a tecnologia e os processos. Essas empresas explorarão a tecnologia para agilizar operações, impulsionar marcas, melhorar a lealdade do cliente e, acima de tudo, direcionar o crescimento do lucro.
Parece que foi ontem. Parece que não é de verdade. Parece que nunca sentimos algo parecido. Parece tão próximo. Parece tão injusto. Parece um pesadelo recorrente. Parece algo que não devia ter acontecido. Parece que passou rápido demais. Parece difícil acreditar que, de repente, a empresa em que trabalho caducou. Bem, nesse caso não foi Ayrton Senna que morreu, mas a alma do seu negócio. Essa lamentação se assemelha bastante com os rumores que ecoam nos corredores de muitas corporações. Sim, muitos profissionais já dizem, e você também dirá, uma frase parecida com essa se seu negócio não se preparar para a “Geração Yahoo”.
É preciso se planejar para receber as novas preferências e demandas que aterrissarão abruptamente. Boa parte das empresas perdeu nesses últimos 11 anos um antes inimaginável ativo semi-exclusivo, enquanto novas corporações como Cisco, Dell, Nokia, Intel, Gol etc. emergiram como verdadeiros icebergs, congelando o futuro dos novos dinossauros, criando novos mercados e roubando o dinheiro antes aplicado em calcificados setores da economia. Mas o melhor de tudo é que essas empresas estão encontrando produtos para seus consumidores em vez de encontrar consumidores para seus produtos. Essa é uma das principais mudanças que diferenciam o novo marketing do velho.
Existe um belíssimo verso de uma genial canção de Chico Buarque chamada Carolina que diz: “O tempo passou na janela e só Carolina não viu”. Acorde, chacoalhe sua Carolina e transforme sua janela em uma porta de entrada escancarada e atraente para a “Geração Yahoo”.