É preciso ser muito criativo para chamar a atenção do consumidor. Não é fácil se comunicar com uma pessoa sem tempo e com tantos concorrentes brigando pelo mesmo objetivo. Na Internet, o desafio é ainda maior, uma vez que clientes on-line traumatizados pelo alto índice de mensagens irrelevantes que recebem por hora, possuem um filtro já inconsciente que barra quase tudo aquilo que não for pessoal, pertinente ao seu momento e conhecido (não falo de marcas, mas de relacionamento).
Tentando inverter esse jogo, vejo que muitas agências e anunciantes tem valorizado demais a parte criativa da mensagem: títulos de impacto, trocadilhos, pirotecnia, direção-de-arte primorosa, ofertas coerentes com a oportunidade e um montão de protocolos criativos.
Mas no que se refere à e-mail marketing, os números continuam os mesmos. Pouca conversão, baixo índice de abertura e objetivos transacionais frustrados. Sem problemas com a criatividade! É bom deixar isso claro. Mas o ponto que quero levantar é outro: será que não deveria existir um maior equilíbrio criativo entre aquilo que estamos comunicando e o serviço que oferecemos naquela mensagem? A Internet possui uma vantagem em relação às outras mídias que chega a ser até injusta. Nós conseguimos resolver problemas, economizar tempo, e inserir a marca no dia-a-dia do consumidor de uma maneira orgânica.
Por quê não investir tempo e inovação no serviço proposto e daí sim comunicá-lo de uma maneira criativa? Não é tão difícil quanto parece. Além de comunicar promoções, mensagens de parabéns e enviar conteúdo alinhado com o perfil do consumidor, oferecer benefícios potencializados pelas características da Internet possibilitam que o cliente passe para a segunda etapa. Mas o que eu quero dizer quando digo “inovação no serviço”?
Vamos lá: Não seria mais produtivo para à Blockbuster se em meio aquelas mensagens disparadas toda sexta-feira com novidades e lançamentos, fosse enviado um e-mail criativo me informando que a partir de agora basta eu clicar nas opções de lançamentos abaixo (corpo do e-mail), validar minha senha, efetuar o pagamento e o meu DVD estará me esperando bonitinho, sem filas, na loja, pronto. Basta apresentar uma senha e pegar.
Do que adianta me avisar sobre os lançamentos se eu sei que eles não estarão disponíveis por serem lançamentos. Sabe o que eu faço, aproveito o e-mail da Blockbuster, vou a uma locadora menor porque sei que lá tenho mais chances de conseguir o DVD. Aperte a tecla SAP desse exemplo para o seu negócio.
Essa idéia deve partir de quem? Marketing do cliente, agência, do CEO, de um estudo de mercado? Na minha visão, agências não devem só agenciar e receber o briefing. Agências de marketing online sabendo do que a Internet é capaz devem sim a todo momento, propor aos seus clientes iniciativas como essa.
Algumas idéias podem ser mais difíceis de serem implementadas do que outras. Mas por favor, não caia no erro impeditivo de: “minha empresa ou cliente não daria apoio em algo diferente como isso”. O constante exercício, além de um excelente treinamento é capaz de surgir com idéias irresistíveis, que podem significar uma importante diferenciação para o seu produto. Na difícil missão de fisgar consumidores online, não limite sua estratégia de e-mail marketing ou mídia a mensagens. Deixe essa missão para o mundo off-line. A Internet pode oferecer muito mais ao seu negócio.